Acho que me sentir bem em baixo da minha própria pele não é pedir muito.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Praia? Não, obrigada.

Amanhã estarei num lugar aonde já fui feliz: Praia.
Minha família tem casa na praia, então todo ano é a mesma coisa, no mesmo lugar... Exceto por dois anos atrás. (sim, eu revivo muito aquela época)
Quando era dia 31 de dezembro e tinha ido apenas eu e minha mãe, pois todos os outros já estavam lá, pesava 47,5kg e minha mãe ainda não queria que eu colocasse biquini, não posso culpa-la, pois pela minha estrutura óssea, ficava bem evidente.
Foi muito bom, lembro ainda da sensação de chegar, arrumar as coisas brevemente e me apressar para colocar um biquini e um short e sair, com orgulho. Isso ficou sufocado pelos meus pensamentos depressivos, na verdade, enterrei todas minhas boas lembranças e sensações pensando assim.
Um ano depois, já estava com 55kg, lembro-me de ter apenas tirado a blusa em casa e tomado banho de ducha, mas na rua eu não saia sem estar "protegida". Não foi confortável, nem livre.
Esse ano, eu não sei o que vai ser, consegui diminuir o peso que ganhei recentemente, tive que interromper a Mia pois a minha avó está muito na cola, meu estômago tem crise e meu piercing no lábio (que coloquei para parar) acaba me ferindo, afinal, a Mia mais atrapalha do que ajuda mesmo, e cortei os carbs, isso me "acalma" e não me deixa sucetível facilmente a uma compulsão.
Terei que manter o controle lá, pois há apenas um banheiro e minha avó, minha irmã e minha tia sabem, não quero estragar tudo e nem ter que digerir o fruto de um descontrole.

Sinto falta da minha Ana Maria... Ela sempre me motivava e agora poucas vezes nos encontramos on line, espero que esteja tudo bem com a minha flor. =)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Eu não sabia que era real

Junho de 2010, eu nunca havi feito aquilo antes, eu sabia que era errado, mas tudo bem, eu pararia ahora que eu quisesse, afinal, eu tinha controle sobre meus movimentos. Dois dedos na garganta eu pouco de vômito no vaso, eu não sabia, mas acabava de dar início à algo que mudaria minha vida pra sempre.
Claro que eu já sabia sobre os "riscos", mas não chegaria a tanto, só emagrecer e pronto, não iria ser mais a gordinha, a sombra da amiga bonita.
Pesquisa emagrecer, dietas, termogênico, laxante, diurético e numa noite me peguei pensando nisso "nossa, eu não pensei em nada além de emagrecer o dia todo!", mãe trabalhando muito como professora, irmã mais nova apenas vivendo sua vida. Ninguém notou.
Roupas largar em casa, eu estava fraca, minhas mãos geladas e meus olhos fundo, era inverno. Cortar calorias, aumentar os exercícios, agora nao conseguia mais fazer minha longas caminhadas. Dormir era o meu refúgio.
Mia? Naão usava muito, quando fazia era apenas nas COMEmorações em família. Emagrecendo e as pessoas notando, era em agosto, de 64 para 53, elogios...
Depois dos 50 minha família começou a cobrar. Aidética, Olívia Palito, Magrela... Eu ouvi da minha mãe enquanto me colocava de frente a um espelho. Claro, a sociedade não poderia saber qe eu estava "mal". É melhor você para com essa palhaçada. Eu não parei.
Mas tinham que me ver comendo, Mia. Peguei gosto por comida, mas não por engordar. Compulsão, purgação, não aguentava ficar ereta de tanto que comia.
Então parei de comer novamente, Setembro, cheguei aos 45, toda noite achava que não ia passar para o próximo dia, as roupas estavam largas, a balança mostrava, mas meus olhos não viam.
Outubro, meus batimentos estavam quase parando, nõ tinha forças pra ir à cozinha, desmaio no quarto.
Deus me dá uma chance.
Vou à uma nutricionista, duas consultas depois eu escrevo o que aconteceu à ela, ela me ajudou, eu a amo por isso. Confiei porque tinha um corpo perfeito, mas como pessoa era ainda mais linda.
Com o tempo, segui a dieta, Dezembro se despedindo. Estava com sede de viver. 2011 foi um ano magnífico: saí, beijei, muitas experiências novas na escola, entrei pra academia, me sentia bem comigo... Até que numa votação boba, de beleza, da minha turma me fez cair.
Minha amiga, em primeiro, e eu, que me esforçava tanto, uns dois votos. Emcasa, compulsão, miei.
Com o tempo, fui engordando, não suportava os espelhos da academia, me sentia bruta, saí e pra correr, não corri.
Arrependimento, é o que tenho. Meu ódio por mim me levou à auto mutilação, bater a cabeça forte no banheiro após miar, me arranhar, ainda nõ era o suficiente, alicate, estilete... Quando vi, isso tinha um nome: cutting.
2011 passou e meu 2012 foi: hipoglicemia (por causa das dietas para emagreces rápido), compulsão, Mia e só. Engordei e cheguei aos 61, mas já perdi um pouco. Perdi o meu 3° ano ficando fraca e me escondendo em casacos (mesmo passando mal de calor). Tentei me matar. Eu tinha tudo pra ser feliz igual ano passado, escolhi o inverso pois não me dou o direito de ser feliz enquanto gorda.
E agora estou eu, aqui, fraca, querendo que o ano começe bem e que eu possao fazer dele o melhor que já vivi, lutar a cada dia para vencer a mim mesma e obter glória.
Não quero mais repetir os erros, não, eu não quero...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O dia em aprendi a demonstrar força, não ser forte

Quinta-feira, 09 de dezembro de 2012, essa data estava a me atormentar a mais de 3 meses. Eu a queria a mais de dois anos. Eu me arrependi para sempre por tê-la vivido daquele jeito...

                                                                                                                                                                 ...

Passei a noite em claro, havia tomado duas capsulas de cafeína, 2 diuréticos e mais dois laxantes, estava ansiosa pois no dia seguinte minha turma iria para um síto, o que significa pouca roupa, piscina...

Não levei biquini, sem chance, eu estava gorda demais para isso, ao menos fui de short, mesmo odiando isso (como já falei), perdi um pouco de peso para faze-lo.

O lugar era lindo, o dia estava quente e de começo me diverti com meus amigos, sabe, vôlei, risadas, brincadeira, ninguém estava ligando muito para o que fazia e falava, saíamos correndo no gramado sem nenhum objetivo certo, estávamos felizes... Mas a 10 minutos atras havia comido a mais no café que foi servido com uma desculpa de querer aproveitar ao máximo o passeio sem fraquezas. Falei que iria no quarto pegar uma pregadeira.

Gostei do banheiro, era bem discreto. Só saiu ácido, minha boca queimou e eu desisti. Frustrada, me cortei duas vezes (levei meu estlete velho) me prometendo que iria ter controle no almoço e aproveitar.

Mas a imagem que eu vi quando voltei foi de todos na piscina. Minha melhor amiga thinspo me olhou e me pediu desculpas pois havia falado que não entraria e ficaria comigo, pensei "tudo bem, meu anjo, você é magra e tem todo direito de ser feliz, por favor seja porque no seu lugar era o que eu faria", eu sorri com sinceridade.
Meu melhor amigo ficante perguntou se estaria bem ele continuar lá, algo pareceido passou pela minha mente. Não iria tira a felicidade daqueles que eu amo por culpas de falta de controle cometidas por mim, o sorriso deles estava tão lindo naquele dia, não queria estragar por nada nesse mundo, mas algo em mim estava crescendo e eu precisava de me refugiar por um período curto, antes que sentissem minha falta.

Cheguei no banheiro. Estava tão vazia que não conseguia chorar, o dia que eu esperava chegou, todos se divertindo e eu daquele jeito... Por que não pude aguentar não ter tido aquelas compulsões? Por que não fui à academia? Por que fui fraca? Por que não estou a nadar naquela água tão boa? Por que não me dediquei mais? Por que? Por que? Porque... talvez seja uma verdadeira perdedora.

Eu comecei a me desesperar, segurava meus cabelos forte, não sabia como extravazar tudo aquilo, não queria que eles sentisse minha falta, buscava só um momento para sentir minha dor, meus dentes rangiam e eu contrai a garganta ao máximo para não emitir sons.
Não queria que tivesse sido tão profundo, só percebi quando senti escorrendo quente dos meus quadris , a tampa do vaso havia formado uma poça de sangue e eu não sentia nem a dor, sete cortes horrendos no total, abaixei a cabeça após a sequencia de fortes golpes  e finalmente chorei, deixei meu estilete cair no chão junto dos meus sonhos para aquele dia. Eu perdi.
Dizem que a gente só sabe o quanto é forte quando ser forte é a única opção, eu não tinha escolha a não ser esconder, não sabia se conseguiria.
Limpei com dificuldade aquilo tudo e saí. Coração quebrado, vergonha, ódio, meu short ferindo meus cortes e um sorriso no rosto. Nunca pensei que poderia fazer isso, normalmente não disfarço quando estou mal, mas eu me recusava a fazer daquele dia, um dia menos que o melhor para quem eu amo, meus dois melhores. Ela era magra e ele tem um corpo divino, eles mereciam eu não, eu falhei e somente eu pago por isso.

Então não aguentei o calor, após uma pequena social, subi, arrumei uma blusa de um funcionário de lá e um maio que tinham esquecido, coloquei o maio, o short e a blusa (enoorme pra mim rs) e pulei na piscina. Esqueci do meu cabelo, esqueci da dor insuportável dos meus cortes em reação com o cloro, esqueci do que iam achar, esqueci de tudo e nadei muito, eu redescobri que amo nadar, me sentia leve e livre e meus amigos ficaram melhores ainda... Me senti como uma garota que não se importa mesmo, aquelas que eu tanto admiro.

O momento acabou, minha amiga foi embora, comecei uma compulsão, suportei a viajem de volta (era perto) continuei em casa, miei... saí do banheiro quebrada, após me vestir ansiei por estar de frente às minha teclas, queria falar para o meu teclado o que não poderia pra mais ninguem e chorei, chorei, chorei, enquanto meus dedos faziam das minhas melodias, música de fundo para minha dor, então deitei no sofá e me vinham imagens minhas felizes como magra naquele lugar.

Se eu não tivesse errado tanto não teria isso me torturando todas as noites até hoje. Eu sei agora como o arrependimento dói.

Por trás dos meus sorrisos, das minhas brincadeiras, das minhas atitudes, ninguém saberia de tudo que aconteceu e as coisas têm que ser assim para, de alguma forma, funcionarem.