Acho que me sentir bem em baixo da minha própria pele não é pedir muito.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Eu não sabia que era real

Junho de 2010, eu nunca havi feito aquilo antes, eu sabia que era errado, mas tudo bem, eu pararia ahora que eu quisesse, afinal, eu tinha controle sobre meus movimentos. Dois dedos na garganta eu pouco de vômito no vaso, eu não sabia, mas acabava de dar início à algo que mudaria minha vida pra sempre.
Claro que eu já sabia sobre os "riscos", mas não chegaria a tanto, só emagrecer e pronto, não iria ser mais a gordinha, a sombra da amiga bonita.
Pesquisa emagrecer, dietas, termogênico, laxante, diurético e numa noite me peguei pensando nisso "nossa, eu não pensei em nada além de emagrecer o dia todo!", mãe trabalhando muito como professora, irmã mais nova apenas vivendo sua vida. Ninguém notou.
Roupas largar em casa, eu estava fraca, minhas mãos geladas e meus olhos fundo, era inverno. Cortar calorias, aumentar os exercícios, agora nao conseguia mais fazer minha longas caminhadas. Dormir era o meu refúgio.
Mia? Naão usava muito, quando fazia era apenas nas COMEmorações em família. Emagrecendo e as pessoas notando, era em agosto, de 64 para 53, elogios...
Depois dos 50 minha família começou a cobrar. Aidética, Olívia Palito, Magrela... Eu ouvi da minha mãe enquanto me colocava de frente a um espelho. Claro, a sociedade não poderia saber qe eu estava "mal". É melhor você para com essa palhaçada. Eu não parei.
Mas tinham que me ver comendo, Mia. Peguei gosto por comida, mas não por engordar. Compulsão, purgação, não aguentava ficar ereta de tanto que comia.
Então parei de comer novamente, Setembro, cheguei aos 45, toda noite achava que não ia passar para o próximo dia, as roupas estavam largas, a balança mostrava, mas meus olhos não viam.
Outubro, meus batimentos estavam quase parando, nõ tinha forças pra ir à cozinha, desmaio no quarto.
Deus me dá uma chance.
Vou à uma nutricionista, duas consultas depois eu escrevo o que aconteceu à ela, ela me ajudou, eu a amo por isso. Confiei porque tinha um corpo perfeito, mas como pessoa era ainda mais linda.
Com o tempo, segui a dieta, Dezembro se despedindo. Estava com sede de viver. 2011 foi um ano magnífico: saí, beijei, muitas experiências novas na escola, entrei pra academia, me sentia bem comigo... Até que numa votação boba, de beleza, da minha turma me fez cair.
Minha amiga, em primeiro, e eu, que me esforçava tanto, uns dois votos. Emcasa, compulsão, miei.
Com o tempo, fui engordando, não suportava os espelhos da academia, me sentia bruta, saí e pra correr, não corri.
Arrependimento, é o que tenho. Meu ódio por mim me levou à auto mutilação, bater a cabeça forte no banheiro após miar, me arranhar, ainda nõ era o suficiente, alicate, estilete... Quando vi, isso tinha um nome: cutting.
2011 passou e meu 2012 foi: hipoglicemia (por causa das dietas para emagreces rápido), compulsão, Mia e só. Engordei e cheguei aos 61, mas já perdi um pouco. Perdi o meu 3° ano ficando fraca e me escondendo em casacos (mesmo passando mal de calor). Tentei me matar. Eu tinha tudo pra ser feliz igual ano passado, escolhi o inverso pois não me dou o direito de ser feliz enquanto gorda.
E agora estou eu, aqui, fraca, querendo que o ano começe bem e que eu possao fazer dele o melhor que já vivi, lutar a cada dia para vencer a mim mesma e obter glória.
Não quero mais repetir os erros, não, eu não quero...

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