Acho que me sentir bem em baixo da minha própria pele não é pedir muito.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Correndo a noite


E eu estava conseguindo perder peso, 500g, no outro dia 600g, no outro 700g e então ao quarto dia estava realmente fraca, tinha acabado de me despedir do meu amigo e já era 21h, tinha tudo para apenas passar por aquele dia, comer um pedaço de queijo e deitar esperando o sono vir, confiante que logo ao acordar e correr para a balança, perderia mais peso e tudo valeria a pena, comeria alguma coisa a tarde e continuaria a caminhar para o meu sonho, mas não foi bem assim minha noite.
Lembrar a que ponto cheguei com esse inferno me assusta.
Comi. Um excesso é o argumento fundamental para uma compulsão.
No meio da noite eu saí, coloquei a minha roupa mais pratica e disse que encontraria uns amigos, saí correndo, como uma drogada em busca de mais uma dose.
Passei na padaria, comi uma empada, andei procurando um lugar com um banheiro sozinha na noite, tudo passando rápido e eu não conseguia me manter ereta, meus estômago estava muito cheio, olhava as pessoas felizes, que realidade tão distante...
Atravesso uma ponte, os caras mexendo comigo me deixaram com medo, mas não posso retroceder, eu começo a chorar soluçando pensando que eu poderia estar em casa, segura.
Sem pensar direito entro no Bob`s e no banheiro faço o meu máximo para não demorar ao mesmo tempo que tenho que tirar tudo aquilo de mim.
Olhos vermelhos chorando, suja, suor no rosto, me lavo e saio de lá ignorando os olhares as minhas costas.
Não tem ninguém a noite na rua, estou com medo, ligo para o meu melhor amigo e no meio da ponte o encontro, só consigo abraçá-lo e chorar, chorar, chorar...

Outras vezes depois disso, eu de pijama tenho uma compulsão e com a mesma desculpa, saio pelas ruas sozinha para sustentar meu maldito vício.
Não importa mais higiene.
Não importa mais segurança.
Não importa mais circunstâncias.
Não importa mais dinheiro.
As coisas estão realmente ficando ruins, minhas costas doem de tanto ficar curvada com uma mão segurando os cabelos e eu não consigo parar.
Estou com medo de mim...

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